A Era de Aquário 

 

 Ma Deva Pyari (Sheila Shalders)

 

Conto de ficção científica, lidando com os temas da tradição induística do Tantra.

Pode ser adquirido em português ou alemão, aqui pelo site, em PDF, Epub ou Mobi.

 

Pelo Amazon como ebook - ainda só em protuguês:

https://www.amazon.com.br/dp/B01J2XKJ9C/ref=rdr_kindle_ext_tmb

 

 capa em óleo, pela autora

 


 O livro 

"Satisfaction"

 

publicado pela Editora Heyne em 1998, pode ser encomendado pelo e-mail: 

 

madevapyari@yahoo.com

 

Como livro, só em alemão (Tantrisches Leben).

Como e.book , em inglês e alemão , em PDF

 

 


o livro

"Sex, Ekstase und Transzendenz",

 

publicado pela Editora Ullstein/ Allegria em 2012, também pode ser encomendado pelo mesmo e-mail.

 

Como livro, só em alemão.

como e.book, em inglês e alemão .  

 

 



Adhara, filha da Pyari, na Califórnia, USA, 1983
Adhara, filha da Pyari, na Califórnia, USA, 1983

 

OLHA O MAR

(Letra da Pyari para uma música do Mo, escrito em Hamburgo, no ano 2000)

 

Aqui jaz um coração

Nem sei se é meu

Tanto faz

Pois quem sou eu?...

E já passei da idade

De buscar serenidade

Fora da solidão

Tanto faz

Aqui jaz

O amor

E o medo atrai e traz a dor.

 

 

Pintura a óleo da Pyari, 2011
Pintura a óleo da Pyari, 2011

Aqui jaz

Tudo que sou

E o que eu não sou

Tanto faz

E não faz mal

Que é tudo igual

Só estamos de passagem

E eu quase fiz lavagem cerebral

Que eu era

tão intelectual

Mental

Adorava a Gal

Achava ela a tal

E eu espiritual

Tudo tão banal

Tão sacal, tão formal

Agora só o minimal

 

Pyari em Lanzarote, Ilhas Canárias, 1990
Pyari em Lanzarote, Ilhas Canárias, 1990

 

Existencial

Quero ser da terra

mais que o sal

Sempre musical, individual,

genital e informal

E a casa pintar de cal

Não faz mal.

 

Buddha Hall no ashran do Osho, Poona, Índia
Buddha Hall no ashran do Osho, Poona, Índia

Aqui jaz

Um coração

Sem ilusão

Tanto faz...

E se ele bate aflito

Tresloucado e descompassado

Serve de inspiração prô violão

E eu grito

Com a guitarra

Que bom que eu inda vivo com garra!

 

Adhara, Avinash, Pyari e Atman em Brasília, 12 de fevereiro de 1985, depois do casamento dos dois
Adhara, Avinash, Pyari e Atman em Brasília, 12 de fevereiro de 1985, depois do casamento dos dois

 Já cantei e meditei

Amei, gozei

Também já odiei

E nem sempre eu aceitei

Tudo que vem com alguém ou sem ninguém

Quié o Zen

Bem além

Onde não tem

Nem o mal e nem o bem

 

E olha que tesouro

Olhar prum besouro

Ou prá uma flor

Sem pensar, com amor

Isto é meditar...

É só relaxar

E parar de criticar

Ou de reclamar e começar assim a amar

Abraçar e contemplar

Olha o mar...

 

Pyari em Lanzarote, Ilhas Canárias, 2000
Pyari em Lanzarote, Ilhas Canárias, 2000

 

 

A Rainha

 

 

 

Depois de ler, anteontem, que Antônio Bivar, um teatrólogo brasileiro, famoso internacionalmente, escreveu uma peça logo após a passagem da rainha da Inglaterra por S.Paulo, no final da década dos sessenta, fiquei matutando... E engraçado que ela passa por lá exatamente quando o Ato Institucional número 5 foi declarado - o que permitiu matar e torturar, sossegadamente, sem mesmo provas... Uma leve desconfiança era suficiente...

 

  São coisas que a gente saca de repente, apesar de ter convivido com o fato uma vida inteira... E uma vida que a rainha não vive...

 

  Minha filha costuma me chamar de rainha quando eu às vezes a chamo de princesa. Mas hoje caiu realmente a ficha. Pensei na vida das rainhas... É verdade que a atual da Dinamarca sai prá tomar um café - em restaurantes lindos em meio a gramados vitorianos, diga-se de passagem -, frequenta vernissages, anda de sapato baixo e terninhos simples... Mas não se pode pensar que faça alguma das outras coisas, que na verdade só aos plebeus, de direito esteja. E que significam exatamente o que, ou com que, a Existência nos agraciou: o presente de nascer como humanos neste planeta - chamado Terra por nós mortais. Mas o problema é que este presente pode ser, e o é, na maioria das vezes, transformado em praga! Mesmo que, essencialmente, os prazeres da vida sejam muitos!

 

  Mas, realmente, não posso imaginar a rainha da Inglaterra, a “nossa” Elisabeth II, poderosa e “quase imortal” – mas só quase, que este privilégio nem Alexandre, o Grande, nem César, em toda sua “glória”, ganharam dos Céus. Morremos todos... Pois é, mas como imaginá-la correndo nua por uma praia deserta, galopando sem roupa em um de “seus” magníficos cavalos brancos, ou se atirando, também nua, num mar gelado? Ou mesmo deitada ao sol, deixando a pele desnuda curti-lo, no Alentejo ou num terraço de alguma casa branca em Ibiza?

 

  É claro que ninguém nem mais pensa na rainha, a não ser quando, para salvar os cofres do ex-império, o futuríssimo príncipe, filho da banida e “intragável” - aos olhos deles – Diana, casa com a filha de um banqueiro e todas as TVs do mundo tentam trazer de volta o glamour da realeza... E o filho Charles também pensa nela, é claro, incomodado pela sua quase imortalidade, já comentada acima, pois ele, já quase também com o pé na cova, ainda está incapaz de curtir as “glórias” da coroa – pois a mãe não morre! E hoje em dia fica quase impossível colocar veneno nas taças de vinho dos monarcas - como era costume antigamente...

 

  É claro que um desastre de carro ainda se “faz”; é menos óbvio... Mas com esta rainha é quase impossível! E Charles é um gentleman, filho de um duque apagado – alemão, como vários príncipes consortes na Europa, porque eles são “bonitos”, fortes, “trepam” bem, e ainda pega bem “ter” um ariano no poder da aristrocacia... Também, Charles não vai querer ficar na História como assassino - pelo menos, não da mãe. Ex-mulher é outra coisa, é um pecado menos capital... E quem sabe se foi ele, se sabia de algum plano?!...

 

  Mas, voltando aos prazeres da vida, vividos infelizmente só por alguns e absolutamente vedado aos monarcas, tampouco posso imaginar a rainha, ou qualquer uma delas, por mais liberais que queiram ser – nem a Caroline de Mônaco conseguiu por muito tempo – na cama com um amante, gritando de êxtase no meio de um orgasmo. Antigamente elas ousavam, pois não havia Papparazzis - mas logo perdiam o poder. As concubinas do rei sempre tiveram mais...

 

  Hoje em dia, entretanto, nem Elisabeth nem nenhuma outra, aguenta por muito tempo o título de libertina e traidora da “sagrada” instituição da família. Bom, aí nem se precisa de rainhas ou cortes... Levante-se a palavra “família”, e qualquer uma se sente culpada... E não mais aceita a liberdade de seguir o coração, que se apaixona a cada nova primavera, a cada novo florescer das cerejeiras...

 

  Não, liberdade, a rainha é a que menos tem! Os plebeus, se ainda não entenderam, depois de tantas décadas, que o amor é livre - pelo menos ele! - ainda podem mentir e viver secretamente suas paixões. Mas a rainha, coitada! Coitada de todas elas!

 

  E o que dizer do amor?! Amor é até o de menos! Elizabeth nunca poderá curtir as delícias de caronar pelo mundo; quer dizer, no mundo não islâmico ou não hindu, pois no primeiro, nós, mulheres, ainda somos vistas como objetos sujeitos à propriedade, e no segundo, como sêres que pecaram na vida anterior - e porisso vêm num corpo feminino: prá resgatar a pena cármica!!!

 

  Mas ainda bem que já existe suficiente terra libertada dos mitos religiosos, onde podemos de repente estar – entre uma carona e outra – debaixo do sol ou do vento, ou mesmo da neve e da chuva, abrir os braços prô alto e agradecer a delícia e a benção de estar aqui, viva! E de se ser livre!!!

 

  Sim, ela nunca poderá curtir uma noite na Repeerbahn - nem mesmo sair na noite! O que dirá às quatro da manhã, prá tomar uma água mineral com gás ou uma cerveja daquelas da Bavária, que deixa bigode branco e nenhum gosto ruim na boca... Ou usar uma mini-saia e bota alta preta... E até prazeres simples, como tocar um violão na praia, correr prô mar do leste quando o sol pinta no norte do planeta, se enrolar numa toalha, gritando prá enxugar o corpo frio... Não, ela não sabe o que é isto. Ela nem tem idéia do que é tocar guitarra e fazer o povo dançar, ela não sabe o que é vestir uma fantasia e fazer um happening de teatro na rua, vendo os olhos arregalados das crianças pedindo prô palhaço botar elas no colo, ou o sorriso das velhinhas de chapéu com uma pluma branca, felizes de ver que ainda existe alegria em algum coração, apesar das bombas, das guerras, do presidente mais poderoso do mundo, mesmo sendo agora mulato (agora este até já saiu da Casa Branca), continuar permitindo a venda de armas e a tortura nas cadeias, da chanceler Angie querer usar o dinheiro dos impostos do povo alemão, mais uma vez, prá impor um regime de direita na Grécia ainda socialista – e continuar mantendo o poder dos bancos, o que torna a vida, mesmo no país mais rico e social do mundo, quase insuportável prôs artistas, velhos e aposentados!...

 

  É, e o que dizer da alegria de um passeio por um bosque ou uma floresta, do êxtase de ouvir o canto das corujas, dos pássaros, do barulho dos ventos e das tormentas, da chuva batendo no telhado? Não, estas alegrias do viver não pertencem às rainhas. Elas tem que pagar a pena do poder, da ganância, do delírio de eternidade, do esquecimento da morte, da ignorância do que é a Vida! E de repente, morrerem. Como todos.

 

  Tenho pena delas. E de hoje em diante, quando a filha me chamar de rainha, vou dizer que este nome não quero. Mesmo que seja “A rainha da noite” ou a “Rainha do Underground”! Não, nunca mais vou usar estas palavras nos “meus” títulos!

 

 

 

Ma Deva Pyari (Sheila Shalders), Iddensen 29 de outubro, 2011

 

Lido no “Mamaterra”, rádio bilingue de Hamburgo, Alemanha. M

 

 

 

Revisado em 18 de setembro de 2017 e publicado no Face Book